Bomba, Matar, Genocídio e Terrorismo
Setembro 13, 2007 por Diogo Duarte
Num futuro possivelmente breve, ninguém virá aqui ter pelo título do artigo que escrevo. Tudo graças a uma ideia do vice-presidente da Comissão Europeia, Franco Frattini, responsável pela justiça, liberdade e segurança, que defende que certos conteúdos da Internet devem ser bloqueados.
É claro que a sua proposta levantou algumas vozes críticas. Mas o que dá realmente que pensar é que há um tempo atrás este tipo de discurso nem seria consentido. Hoje em dia, apesar dos que se indignam, já há aqueles que pensam duas vezes sobre a proposta.
Diz o DN que esta proposta “surge após os eventos da semana passada na Dinamarca e na Alemanha (prisão de indivíduos suspeitos de estarem a preparar atentados)”. Eu cá duvido seriamente que este indivíduo acredite que as pesquisas na internet tenham um grande papel no planeamento dos atentados. Não estou a ver estes grupos de muçulmanos capturados, cansados da sua vida na diáspora, a decidirem que querem atacar um país ocidental e que o primeiro passo a dar é ir ao Google pesquisar “bombas” ou “matar”. O mesmo se aplica a outros grupos a quem é atribuída com facilidade a designação de “terroristas”.
Sublinhe-se que tudo isto tem contornos orwellianos assustadores. A proposta é demasiado reveladora disso mesmo, mas o que mais me assusta é ver que este tipo é o responsável pela “justiça, liberdade e segurança”. Esta combinação de palavras já tem uma existência muito pouco inocente, mas um tipo responsável pela justiça e pela liberdade propor uma solução tão absurda e defender que a restrição destas pesquisas não violam a liberdade de expressão ou de informação e, pelo contrário, “visam a defesa do direito à vida”, é capaz de me pôr a olhar com ainda mais respeito para o Mil Novecentos e Oitenta e Quatro ali pousado na prateleira.
Esse Frattini é de tal ordem que a sua nomeação gerou na altura grande polémica.
É senhor da Liga Norte, muito católico , conservador e perigosíssimo.