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Fim

O Sismógrafo fica por aqui. Passou-se muita coisa, conheci imensa gente e aprendi bastante com muitos e-mails e comentários recebidos. No entanto, deixou de ter o sentido que tinha e a motivação para o actualizar com regularidade foi-se. Podia usar a desculpa da “falta de tempo”, mas não. É algo muito mais complexo e pode traduzir-se, acima de tudo, por de falta de motivação e o surgimento de outras prioridades. Com o tempo, talvez volte a fazer sentido e eu sinta necessidade de criar outro blog. Por agora, chega.

Vemo-nos por aí,
Até breve!

Ontem houve mais uma demonstração dos tempos que se vivem, desta vez para os lados do Rossio. O Grémio Lisbonense foi ontem despejado do edifício que ocupava há escassos 150 anos. E digo despejado não no sentido de quem despeja um saco, sacode, cai o interior e pronto. Foi quase. Como não deu para virar o edifício ao contrário e sacudi-lo para cair o seu conteúdo, resolveu-se à boa maneira democrática: carga policial. Sócios, simpatizantes, jornalistas, velhos, novos, levou tudo de enfiada. Uma verdadeira sessão de terapia para os agentes da autoridade e uma carga de porrada para aqueles que frequentavam o espaço regularmente, alguns desde há bastantes anos. Sublinhe-se que o Grémio existe há 150 anos mas não era o local de culto de meia dúzia de pessoas que o ocupavam para jogar dominó e à sueca. Era frequentado por pessoas de todas as idades e os mais atentos terão certamente reparado na sua interessante e rica oferta cultural dos últimos tempos.

Os vídeos falam por si, a situação mais do que revoltante é triste. Infelizmente, espaços onde se possam desenvolver todo o tipo de actividades culturais – acessíveis a todos – têm, comumente, este fim. Aí as autoridades têm sido bem sucedidas: eu cá já me habituei à ideia de que quando surge um espaço dinâmico, plural e aberto tem os dias contados.

A carga policial é ainda sinónimo de outras coisas, algumas talvez mais verdadeiras do que outras: saudades de outros tempos que se julgavam passados mas que afinal ainda estrebucham com vida; símbolo das democracias, com dois pesos e duas medidas, em que quando os seus órgãos não são bem sucedidos a divulgar a boa nova, ou seja, quando não têm nada que justifique os seus actos – nem a defesa da maioria – a resposta é a violência. Digamos que é o exemplo de um regime que tem as perninhas em sítios diferentes, uma na ditadura e outra na democracia, mas que apenas usa o nome da segunda.

Enquanto o Grémio ainda não é um hotel de luxo ou uma outra merda qualquer, dêem uma olhada nos vídeos do acontecimento de ontem:

http://www.tvnet.pt/noticias/video_detalhes.php?id=19585
http://www.tvnet.pt/noticias/video_detalhes.php?id=19597

Tem início a 14 de Fevereiro, na Fundação de Serralves, um ciclo de debates que terá como tema o estado do país, com a participação de políticos, investigadores, empresários e filósofos, que vão analisar o futuro de Portugal. Com tais convidados, é caso para perguntar: mas qual país? É Portugal, claro. Um país com todas as características que lhe reconhecemos, em que a maioria da população possui baixos níveis de formação escolar e académica, com crescentes desigualdades sociais e económicas, com zonas mais “Portugal” do que outras, que mal constam no mapa, na memória, nas notícias, etc., por aí fora – todas aquelas características que todos os dias alguém ou alguma estatística enunciam. Então quem serão as pessoas indicadas para discutir o estado do país? Aquelas que o compõem, com todos os seus defeitos, que o sentem diariamente na pele para o pior e para o melhor? Com certeza. No entanto, as diferenças sociais reflectem-se também naqueles que fazem dos problemas existentes a sua carreira, que os discutem como quem joga ao monopólio e aqueles que os sofrem. Geralmente, quem se dedica a reflectir sobre os mesmos, são os segundos. Os tais que vão estar em Serralves: os políticos, os investigadores, os empresários e filósofos. Estes, os principais e eternos causadores do marasmo nacional são os ilustres representantes do futuro “desejado”.

Não que estes não fizessem falta, mas os políticos que se conhecem são pessoas que nasceram a ver a política como uma profissão, com os olhos de carreira. A política que se conhece é de uma elite, é uma forma de resolver problemas pessoais mais do que sociais. Os segundos, os investigadores, limitam o seu olhar sobre o estado do país às notícias, nunca ultrapassando a porta do gabinete e ou janela da biblioteca. Os filósofos, esses que se fecham para reflectir sobre a vida enquanto esta lhes passa ao lado, são os mesmos que muitas vezes reflectem sobre o estado do país quando nem sabem onde é que ele fica. Sobre os empresários, nem uma palavra. Esses sim, não fazem falta.

Posto isto, é fácil perceber de que país se discutirá o estado actual e o futuro. Infelizmente, não será o daquele em que vivo, certamente.

 

Foi publicada no Orgia Literária, um blog onde participo, uma excelente entrevista realizada pelo Gonçalo Mira ao escritor português Gonçalo M. Tavares. Uma entrevista longa mas bastante interessante e profunda, em que se fala de parte da obra do escritor e do seu percurso, de ciência, de religião, de loucura, entre outras coisas. Está longe de ser uma das entrevistas que se encontra com o Gonçalo M. Tavares nos meios de comunicação usuais, construídas geralmente com meros fins publicitários ou por pessoas pouco conhecedoras da sua obra. O resultado de tal entrevista é ver é ver o próprio escritor a falar aberta e profundamente sobre alguns tópicos bastante interessantes e nem sempre enunciados nas referências à sua obra. Deixo alguns excertos para alimentar a curiosidade:

“a proclamação de que eu sou um homem bom, independentemente do que aconteça, é uma proclamação perigosa. Quando as circunstâncias mudam nós podemos fazer actos de que nos envergonharemos mais tarde.”

“É evidente que para mim, neste momento, talvez seja claro e não seja muito injusto se eu disser que a maior parte das pessoas tem mais vergonha de, por exemplo, não dominar o último programa do Windows do que de mentirem. Ou seja, as questões morais começaram a diluir-se um pouco nas questões técnicas e, portanto, há claramente uma transformação de valores, onde a técnica começa a dominar. E a técnica a todos os níveis, não apenas técnica de maquinarias, realmente a técnica de competências. E nesse aspecto, para mim é claro que a moral do século XXI é uma moral completamente diferente do que era a moral, por exemplo, clássica.”

“Se a ciência pode explicar tudo? Não. Eu acho que a presença da religião e a presença da crença – e aliás nos últimos tempos o aumento da importância da crença religiosa – mostra que a ciência não pode explicar tudo. Se pudesse explicar tudo, todos esses impulsos religiosos se apagariam. E há perguntas básicas, quase essenciais, que a ciência ainda não pode responder. E se calhar é por isso que a crença religiosa continua muito intensa.”

A entrevista pode ser lida na integra aqui.

Jogo sujo

Apesar de ainda não se ter realizado em Portugal nenhuma manifestação de grande dimensão associada aos movimentos comummente designados como “anti-globalização”, tem-se assistido nos últimos tempos à realização de alguns episódios de protesto mais mediáticos por parte de grupos conotados com ideias libertárias, direitos humanos, etc. Não se julgue, por isso, que em Portugal, as tácticas expostas no vídeo divulgado não são usadas pelas “nossas” forças. Quem já participou em manifestações do género reconhecerá, certamente, a veracidade desta afirmação. Por outro lado, a violência sobre este tipo de grupos neste país pode ser usada de forma muito mais impune, já que mesmo nas situações em que a gratuitidade da brutalidade policial é totalmente exposta e não possui qualquer tipo de “máscara”, como no episódio passado no Canadá, a contestação da sociedade é quase nula e a ineficácia dos meios de justiça é gritante. Temos o belo exemplo do que se passou na manifestação anti-autoritária do passado 25 de Abril, em que algumas pessoas foram violentamente agredidas de forma totalmente gratuita, em que existem provas e registos fotográficos e vídeo do sucedido, mas que nem por isso se faz justiça e vemos o respectivo processo ser totalmente desprezado e em vias de ser enterrado.
Naturalmente que por trás desta situação está o carácter altamente repressivo das autoridades portuguesas, mas não é de desculpabilizar a atitude do zé povinho que até num tipo que aos seus olhos tenha uns ténis com os atacadores da cor errada considera ser justo aplicar uma carga de porrada só “para o pôr na linha”.
Parece-me inevitável que este tipo de manifestações cresça em Portugal e parece-me igualmente inevitável que as rotulagens e os processos de desinformação sucedam sem grande interferência, tanto por parte dos meios de comunicação social como pela parte das autoridades. Este vídeo serve de exemplo não só para quem participa nestas manifestações como para quem as consome pela televisão. É claro que não pretendo sublinhar a ideia de que não existem actos absurdos, desmedidos e gratuitos por parte dos manifestantes, mas antes lembrar que este tipo de táctica policial é uma constante neste tipo de eventos.

Fica também uma nota para a censura, no mais profundo sentido do termo, que sofreu o cartaz da festa de Carnaval da associação cultural Bacalhoeiro. No cartaz censurado estava a foto de um polícia com umas patinhas de suíno no lugar das suas belas mãos de princesa. A piada não passou impune e a polícia mandou retirar os cartazes sob o interessante argumento de que o uso de tal foto consistia numa “violação de privacidade”. Fica a versão original do cartaz e o seu substituto mais polido.

 

Foto tirada do blog A Motel Taz Dinbaz e o vídeo do Spectrum.

“Companheiros e companheiras,

Um grupo de pessoas ligadas ao Centro de Cultura Libertária tem vindo a debater a possibilidade de se realizar durante a Primavera/Verão uma feira do livro libertária. Esta feira teria como principal objectivo a troca de ideias e a reunião das várias pessoas dentro do território português, e também fora deste, que se identificam ou simpatizam com o ideal libertário. Seria um local de troca de informação tendo como principais actividades a programar: debates, passagens de vídeos, exposições e outros tipos de actividades culturais. Acima de tudo a ideia principal seria essa reunião que poderia levar a um fortalecimento dos laços existentes entre os diversos grupos e indivíduos que participam da ideia anarquista. É nesse sentido que se convoca uma reunião com vista à formação de um colectivo responsável pela organização desta feira libertária. Os tópicos a debater terão a ver com os moldes em que esta se poderá realizar, sendo que qualquer ideia a surgir seria encarada como um progressão com vista à realização dessa mesma feira. Entre os tópicos a debater estarão:

- Data e lugar para a realização da feira;
- Duração da feira;
- Métodos de organização:
- Actividades;
- Tópicos vários.

A reunião terá lugar no Centro de Cultura Libertária dia 9 de Fevereiro (sábado), pelas 16h.

Saudações Libertárias!”

“Um dos proprietários queixosos receia ser obrigado a fechar o seu estabelecimento nas imediações do Hospital de Santa Maria (Lisboa) devido à “concorrência desleal”.
(…)
Os proprietários queixam-se ainda que há uma “descriminação positiva” das farmácias hospitalares devido ao “regime de privilégios diferentes que receberam”, que passam pela sua abertura 365 dias por ano e 24 horas por dia.”
In Público


Há uma série de indústrias particularmente estúpidas, o que torna realmente complicado dizer que esta ou aquela é realmente a mais estúpida que existe. Uma séria concorrente a este “prémio” é a indústria farmacêutica, que tem a vantagem de despir completamente a lógica capitalista de toda a sua possível humanidade. É uma característica comum a todos os negócios que têm alguma facilidade de assumir uma indispensabilidade à sobrevivência humana, como são os negócios ligados à saúde, por exemplo. Além disso, em qualquer um dos estratos da sua hierarquia, começando no ponto mais alto e acabando cá em baixo, esta indústria é caracterizada por reduzir o ser humano a “nada”, subsumindo-o à sua lógica puramente lucrativa, da forma mais descarada. Podemos começar pelo topo, mesmo lá na autodenominada indústria, e apontar como exemplo as experiências em seres humanos feitas em países africanos (para não falar nas mais discutíveis experiências em animais). Mas também podemos agarrar esta notícia e tomá-la como um exemplo, no outro extremo mais baixo (as farmácias), da desumanidade e da lógica crua do capitalismo.

A situação é tal, nos nossos dias que este tipo de discurso, raramente é desconstruído e nem os média, supostamente encarregados de informar, têm a capacidade de o fazer. E sublinhe-se que desmontar esta lógica de “concorrência” e outra linguagem economicista aí encontrada, mesmo a mais camuflada, não se trata propriamente de um delito de opinião. Seria mesmo informação, pura informação. Afinal, julgo que tirando os mais acérrimos defensores de tal sistema, todos somos capazes de reconhecer que a saúde não devia constituir um negócio, muito menos um negócio tão poderoso quanto é a indústria farmacêutica. Dizendo de uma forma mais fácil, havendo forma de garantir uma saúde o mais digna e plena possível, não consigo compreender como é que esta apenas pode estar ao alcance daqueles que têm dinheiro para a comprar. Mas é uma triste realidade, e uma prova disso mesmo é a força com que esta ideia está implantada nas consciência desta sociedade, totalmente rendida a este sistema que minou todas as áreas possíveis da vida humana e que tudo reduziu à sua insignificância mercantil.

A propósito disto, pode também referir-se a mais recente proposta de Paulo Portas: a unidose (que, na realidade, já é uma ideia bem antiga). Enquanto esta ideia não se adaptar à lógica do lucro, nunca será implantada. Por muito que possamos ver a maioria dos partidos a defender esta ideia, rapidamente surgem estudos e opiniões de especialistas a frisar a sua inviabilidade e inconsequência. Não é este o argumento que usam, mas o motivo por detrás de tais estudos é o facto óbvio de que seria um atentado às farmácias e indústria farmacêutica no geral, prejudicando seriamente os lucros que movimenta. Veja-se que esta até se sente lesada pela “concorrência desleal” ou pela “discriminação positiva” de outras farmácias. Agora imaginem se o próprio Estado fosse ainda mais longe, permitindo a compra do “essencial”, ou seja meia dúzia de comprimidos, anulando assim a obrigatoriedade de ter que comprar uma caixa inteira.

Diga-se o que se disser, e independentemente de todos os pruridos em afirmá-lo, o terrorismo ajuda acima de tudo o Estado. É uma das melhores armas de controlo social que pode existir. Na realidade, dificilmente podemos apontar algo tão poderoso, “moderno” e eficaz na manipulação do medo. O terrorismo serve para tudo: tanto para argumentar a favor da indústria cultural (contra a pirataria), como para aumentar os níveis de vigilância e de controlo policial, ou, tão simplesmente, o que subjaz a isso tudo: o tal medo.

Não é por acaso que, ao olharmos para a história de muitos países, encontramos acções terroristas planeadas por dentro, i.e., pelo próprio Estado, de forma a assim justificar uma qualquer medida repressiva, seja um ataque a um país exterior, a prisão de alguém potencialmente ameaçador residente no país ou a repressão de qualquer grupo.

Desde o 11 de Setembro que esta dimensão do terrorismo se acentuou ainda mais. A tal ponto que eu quase que aposto que até no Portugal mais ostracizado as pessoas sabem quem é o Bin Laden e temem um atentado terrorista, ou qualquer outra ameaça externa, nas imediações.

Nos últimos dias explodiu aí com força a notícia de que a policia espanhola comunicou a Portugal a possibilidade de um atentado terrorista no nosso solo. Claro que os portugueses, apesar de terem negado esse perigo, deixaram claro que “é um perigo potencial que deve ser levado a sério”. Afinal, um argumento deste calibre não se pode deitar fora assim à toa. Mesmo que venha dum país que investiga ligações da ETA com algo quanto improvável como o movimento Okupa e os anarquistas, que só se situam no outro extremo ideológico (apesar de enfiarem tudo no mesmo saco da “extrema-esquerda”).

Em Portugal, como praticamente não há anarquistas, o terrorismo, por enquanto, vai servindo bem para controlar a imigração e aumentar os discursos xenófobos. A mais bela manifestação deste facto foi o que sucedeu há uns 3 ou 4 dias atrás, quando tiveram que fechar uma das linhas do metro de Lisboa devido a uma mala suspeita que aí se encontrava. E o que é que uma mala, ou um saco, pode ter de tão ameaçador assim, capaz de motivar a sua explosão e o encerramento de uma linha de metro inteira durante umas quantas horas? Segundo a porta-voz da PSP, Paula Monteiro, o saco estava coberto com um “lenço árabe”, o que “ajudou a levantar suspeitas sobre o seu conteúdo”. Para além desta operação ter sido puro show-off (não um show-off qualquer, mas um show-off de autoridade), carrega em si um discurso tão xenófobo que até dá dó. Mas para lá do mais óbvio que me recuso a ter que escrever, desde quando é que um “lenço árabe” é assim tão “ameaçador”? Até no mercado mais rosqueiro deste país se encontram lenços destes!

Mas pronto, fica a mensagem: quando virem um lenço árabe rebentem logo com ele, não vá o gajo ter mesmo um árabe daqueles “a sério” lá debaixo.

Ninguém é ilegal!

 

Relato de um dos participantes na vigília convocada em Solidariedade com os cidadãos marroquinos detidos no Porto, vítimas de uma política desumana:

”Por volta das 15h30, soara o alarme. O SEF preparava-se para, ainda nessa tarde, proceder à deportação de mais alguns dos imigrantes detidos no Espaço de Acolhimento de Estrangeiros e Apátridas/ Unidade de Santo António, no Porto. Ninguém conseguiu chegar às instalações do SEF antes das 16h30 e, mesmo os que chegaram a essa hora, não viram ninguém a sair. Por volta das 18h00, a advogada de alguns de alguns dos detidos informou que já só estavam seis marroquinos dentro do CIT. A deportação vespertina já tinha tido lugar.
Por volta das 18h30 cerca de três dezenas de pessoas estavam junto ao portão de entrada do Centro, no seguimento de um apelo para uma vigília decidida às três pancadas na noite anterior, no seguimento das notícias sobre as primeiras operações secretas, e ilegais, de deportação. Distribuíamos um folheto, também ele definido em cima da hora, onde se questiona o ministro sobre as políticas de emigração europeias e onde exibíamos uma faixa com os dizeres: “Ninguém é ilegal”.
A vigília durou cerca de duas horas. Por volta das 20h30, o deputado do BE, José Soeiro, tentou visitar os imigrantes para lhes entregar as mensagens que tinham sido recolhidas entre as pessoas que se manifestavam. Foi-lhe dito que eles já estavam a dormir.
Cá fora, a assembleia dos presentes decidiu marcar uma reunião para a próxima segunda-feira, dia 28 de Janeiro, na CasaViva (Pç Marquês de Pombal, 167 – Porto) para programar e preparar uma manifestação para o dia 9 de Fevereiro, onde se lute pela alteração desta lei criminosa que protege de facto as redes mafiosas de tráfico de migrantes, onde se denuncie a brutalidade da actuação do governo português neste caso concreto e onde, enfim, se pugne por esse direito fundamental que é o da livre circulação de seres humanos, sem esquecer que as migrações têm causas e que, essas sim, devem ser alvo de combate internacional. Consigamos que a miséria e a fome se transformem em memórias do passado e poderemos deitar o Frontex ao lixo.
Antes de desmobilizarmos, subimos a rua e, em frente ao bloco onde eles estão detidos, tentamos comunicar. Obtivemos resposta. Durante cerca de 5 minutos, conversamos com eles, fizemos-lhes sentir que havia gente solidária, sorrimos ao ouvir o seu “Obrigado”. Findo esse tempo, eles terão sido calados, mas puderam-nos ouvir durante mais alguns minutos até que a polícia nos impediu de prosseguir.”

Mais fotos e info no blog Sardera.

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A foto de autoria do fotógrafo Fabian Bimmer, foi contemplada com o prémio ‘Rückblende 2007′ (Retrospectiva 2007) que premeia a melhor fotografia de 2007. Na imagem vêem-se alguns elementos da Clown Army, destacados para a cimeira do G8 em Rostock em Junho de 2007, em plena acção ofensiva ao lado da polícia de choque alemã

Mais informação: aqui, aqui

(Informação roubada daí mesmo, do sítio do costume. Prometo que quando este blog tiver publicidade ou render alguma coisa vocês serão contemplados com uma boa maquia.)

Amanhã, dia 25, às 16h. no Largo da Misericórdia, em Setúbal

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A Associação dos Cidadãos pela Arrábida e Estuário do Sado vai realizar, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, uma concentração contra a co-incineração a qual vai decorrer amanhã, dia 25, às 16 horas, no largo da Misericórdia, em Setúbal. Esta concentração contra a queima de resíduos na Secil pretende ainda ser uma manifestação “por uma política ambiental correcta” e pela “saúde e qualidade de vida dos cidadãos”, segundo os organizadores

A Associação dos Cidadãos pela Arrábida e Estuário do Sado apelou à adesão da população ao protesto contra a co-incineração.

“Gostaríamos de ter uma grande adesão da população até porque a luta contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos não está perdida, ao contrário do que o Governo pretende fazer crer”, disse Fernanda Rodrigues, da Associação de Cidadãos pela Arrábida e Estuário do Sado.

“Contamos com o apoio das três câmara municipais - Palmela Sesimbra e Setúbal -, estando já confirmada a presença dos presidentes dos três municípios”, acrescentou Fernanda Rodrigues, que está confiante de que a iniciativa terá o apoio de dirigentes locais dos principais partidos, incluindo o próprio Partido socialista.

A decisão de convocar uma concentração contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos, surge na sequência da decisão do Supremo Tribunal Administrativo, que revogou a suspensão da proibição da queima de resíduos perigosos na cimenteira da Secil, no Butão.

O advogado das três autarquias, castanheira Barros, requereu segunda-feira a nulidade do recente acórdão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) que deu “luz verde” à co-incineração na cimenteira da Secil no Outão, Arrábida, Setúbal.

O requerimento de Castanheira Barros pretende que os pedidos sejam apreciados pela “Conferência de Juízes da Secção de Contencioso do STA”, disse à Lusa castanheira Barros.

(Fonte: Pimenta Negra)

Sexta-feira, 25 Janeiro, às 21h,

na Casa do Brasil

Casa do Brasil: Rua São Pedro de Alcântara, 63 - 1º direito - Lisboa

 

Mais informação:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bradley_Roland_Will

http://en.wikipedia.org/wiki/Brad_Will

http://www.friendsofbradwill.org/

http://bradwill.org/

http://www.bradwill.org/foundation.htm

CONTRA AS DEPORTAÇÕES.
DOCUMENTOS PARA TODOS!

PORTO-19H-METRO LAPA
RUA DO BARÃO DE FORRESTER

Seis dos 23 marroquinos que em meados de Dezembro alcançaram a costa algarvia (muitos deles em condições de saúde precárias) já não se encontram no centro de detenção (Rua Barão de Forrester). Mais quatro serão esta madrugada expulsos. O processo de repatriação está a ser conduzido completamente à margem da lei, não tendo a advogada dos imigrantes sido informada do sucedido.

O ministro da administração Rui Pereira já havia declarado a intenção de expulsar os 23 cidadãos marroquinos. Em declarações ao jornal Portugal Diário, Rui Pereira afirmou que «O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras tem desenvolvido todos os esforços no sentido da identificação dos cidadãos que imigraram ilegalmente para o nosso país e aquilo que foi decretado judicialmente foi que fossem expulsos». Tal, constitui uma questão de coerência com «uma política global de imigração» que aceita a imigração legal, considerando-a «como uma janela de oportunidades para o desenvolvimento dos países de origem e de destino», mas que combate a imigração ilegal, «associada a fenómenos humanitários gravíssimos».

Podemos assim concluir que as imperativas necessidades que fomentam o fenómeno migratório – a fuga às guerras, à pobreza, à repressão, à destruição de recursos naturais e às condições de miséria que alimentam as contas bancárias das grandes empresas e investidores transnacionais –, bem como o livre exercício do direito à mobilidade são factores que não devem determinar uma política migratória responsável. Leia-se, que vise combater a imigração ilegal, que «está associada a fenómenos humanitários gravíssimos».

De referir que esta decisão ocorre poucos dias após a realização da 23ª Cimeira Ibérica, na qual os governos espanhol e português decidiram criar parcerias no combate à imigração dita ilegal. O primeiro-ministro espanhol José Luís Zapatero havia dias antes assinado um acordo com a França e com a Itália que prevê a expulsão conjunta de imigrantes.

O estranho facto de assistirmos à violação da lei por parte da sua instituição criadora (o estado, em nome dos seus interesses, viola-se a si mesmo) é o indício de um estado de excepção que se torna cada vez mais permanente nas nossas vidas. São demasiados os exemplos históricos de cessação de direitos, liberdades e garantias que, por métodos mais ou menos mediatos, se foram alargando à generalidade das pessoas. Hoje são os ilegais, os clandestinos, os magrebinos, os africanos, os chineses, os de leste, os pobres, os não rentáveis economicamente. Amanhã, seremos nós?

Jornada Europeia de Mobilização contra os Centros de Detenção - Ninguém é Ilegal!

(recebido via e-mail)

Depois do último post este não podia cair melhor. Vitor Silva Tavares, editor da &Etc (ver aqui outra excelente entrevista), e o escritor Alberto Pimenta, foram entrevistados anteontem no programa Câmara Clara da RTP2, em jeito de homenagem a Luiz Pacheco. Na realidade, é mais do que uma simples entrevista. É, em grande medida, um retrato sobre o que ainda se publica e faz de literatura em Portugal, num tempo em que os “Book Tailors” e os “Paes do Amaral” sujam tudo com a sua lógica mercantil e subsumem todo o potencial interesse de uma obra de arte a um objecto de consumo. É uma lógica em que não se escreve pelo prazer de escrever, nem se escreve pelo prazer de ler, mas antes pelo potencial vendável que uma obra literária, ou melhor, um produto literário, carrega em si. Quem escreve tem que escrever para públicos definidos, que quanto maiores forem melhor. Não há espaço para quem escreve para três ou quatro pessoas lerem, ou para quem escreve pelo prazer de escrever. Quem vende livros vende para multidões, como se vendem cuecas.

Alberto Pimenta é um desses escritores paralelos, não à margem (conceito que ambos desmontam nesta entrevista), assim como Vitor Silva Tavares também o é enquanto editor. São paralelos e não marginais pois estão completamente fora da engrenagem capitalista. Como Tavares sublinha, não é marginal, pois não está na margem, está fora, é paralelo. Não escrevem nem editam livros para as prateleiras dos hipermercados ou para as “multidões” das editoras e os seus mercados, escrevem e editam porque sim, por prazer e pela arte. E é disso que se fala ao longo desta excelente entrevista: sobre a “marginalidade” da escrita, essa coisa que ninguém sabe quem o que é e que se usa e cola com toda a facilidade a quem convém; sobre a “literatura arte” e a “literatura de consumo”; sobre Luiz Pacheco, um desses escritores considerados marginais ou libertinos mas que afinal fazia livros “clássicos”. Pelo meio ainda há direito a uma pequena entrevista a outro desses editores paralelos, Luís Oliveira da Antígona, que ainda por cima consta que é anarquista (mais um rótulo “literário” ou “artístico” daqueles porreiros, tipo libertino e marginal).

Atrevo-me a dizer que é uma entrevista a não perder, tanto pelos entrevistados em questão e pela conversa, como por pequenos pormenores que sobressaem, como o facto de durante o programa os dois autores entrevistados terem passado parte do tempo a desconstruir termos como libertino ou marginal, tão colados a Luiz Pacheco, e mesmo assim serem acompanhados aqui e ali por pequenos excertos que vangloriavam tais epítetos. Mas o melhor desses pormenores vem no fim: afinal, não é todos os dias que se vê dois pesos-pesados da cultura embebidos num belo caldo verde, a molhar o pão em directo.

 

A entrevista pode ser vista na integra aqui mesmo.

 

“Rigoroso e persuasivo, “bem falante”, “muito inteligente”. Só o descuido no vestir, à primeira vista, poderia espavorir a caça. Mas não. Durante três anos, pelo menos, iludiu mais de uma dezena de bibliotecários do Porto e arredores. Entrava leve, no falso papel de jornalista, saía com livros valiosos, raros, sob a velha gabardina.
José Correia da Silva - que está a ser julgado no Tribunal de S. João Novo, Porto, acusado dos crimes de furto qualificado e falsificação de documentos - terá levado excessivamente à letra a máxima de que o furto de livros é “um acto cultural”. Três anos após do início da aventura, e um monte de livros surripiados, a Polícia Judiciária deteve-o, no Museu Soares do Reis, quando preparava mais uma das suas
‘reportagens’.”

Ver o resto da notícia aqui: O homem “mal vestido” que furtava livros raros

E agora o “outro lado”, para ver quem é que anda realmente a roubar livros:

“‘Na cópia de livros… nós oferecemos a capa a cores’. Esta promoção num estabelecimento comercial da Maia valeu ao responsável pela loja uma multa de 1 260 euros “pela prática de um crime de usurpação, além do pagamento das custas judiciais”. A condenação resultou da apreensão por parte de uma brigada da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), “de mais de uma centena de cópias de livros técnicos, que, de forma reiterada, era praticada nessa loja”, lê-se num comunicado daquela entidade que, durante o ano de 2007, apreendeu cerca de 150 mil euros em livros ilícitos.”
Ver aqui: 150 mil euros de livros pirateados em 2007

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Se tomarmos o roubo da primeira notícia como um acto simbólico, a resposta é óbvia: são os da segunda notícia quem anda a roubar livros. Até se pode ir mais longe. O primeiro rouba livros na mesma lógica de que os segundos estão a roubar. Rouba porque o livro é uma mercadoria, um mero produto, com um valor. Não é por acaso que escolhia roubar os livros raros. Mesmo assim, continuo a preferir o roubo do indivíduo da primeira notícia aos roubos destes últimos, porque o primeiro não destrói os livros e estes destroem. Dá vontade de levar a sério o apelo que o editor da Lidel faz à IGAC, embora que com outro sentido: “todos os livros devem estar protegidos”, não protejam é apenas a capa mas também o conteúdo. E, já agora, protejam-nos destes inspectores, editores, empresários e “alfaiates” do livro que por aí andam.

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Dia 19 de Janeiro, 21h30
Freguesia da Nossa Senhora da Anunciada
Clube Recreativo da Palhavã

As sessões têm inicio com a projecção do filme intitulado “José Afonso – Andarilho, Poeta e Cantor”, do Rogério Ribeiro, com a duração de 15 minutos. De seguida, um ou dois poetas apresentam poemas de José Afonso e é visionado um filme “Não me obrigues a vir para a rua gritar”, cedido pela RTP à Associação José Afonso. Posteriormente, os amigos irão falar dos momentos passados com o cantor e os músicos convidados para cada uma das sessões cantam baladas de Zeca Afonso. Junte-se à tertúlia para conhecer um pouco mais de José Afonso.

Duração das sessões: 1h30

Informações: promocaocms@mun-setubal.pt

Aeroporto

Falar com alguém sobre vegetarianismo/ veganismo não é tarefa fácil. Mais do que os preconceitos que rodeiam o assunto, muitas vezes pouco inocentes, é preciso ter em conta que é um assunto que questiona muitas coisas que damos como adquiridas praticamente desde que nascemos. A não ser que seja motivado a fazê-lo, ninguém olha para um bife no supermercado e se lembra duma vaca ou dum porco. É simplesmente um bife. Além disso, questionam-se valores demasiado sólidos com argumentos que a serem levados a sério poderiam pôr em causa muitas das nossas certezas mais básicas – daquelas que todos necessitamos para ter alguma sanidade mental.

Eu já estive dos dois lados. Já ofereci resistência, defendendo-me com o pouco que sabia, geralmente preconceitos, e ainda mais com o que não sabia, ao mesmo tempo que no meu interior algumas questões fundamentais ganhavam força. Agora, quando por qualquer motivo alguém me indaga sobre o facto de ser vegetariano, opção que tomei há cerca de 7 anos, sou geralmente confrontado com essa mesma atitude que também eu já tive. De facto, há que assumir que é uma questão complicada, polémica, muito discutível e nada fácil de debater com rigor.

Deve ser sublinhado que apesar de a maioria dos preconceitos sobre o vegetarianismo/ veganismo serem na sua maioria negativos, também existe o contrário. Há quem considere que só por deixarmos de comer carne e peixe ficamos automaticamente mais saudáveis, descuidando a sua alimentação e reduzindo-a a um prato de batatas fritas. Mais tarde, estes passam a ser os principais defensores de que tal dieta é nociva para a saúde, pois ficaram anémicos, etc. etc., esquecendo que uma alimentação descuidada, quer ela seja omnívora, canibal ou vegetariana/ vegan, terá sempre consequências para a saúde do próprio.

Há ainda outros factores que mancham a imagem do vegetarianismo/ veganismo, para além da incompreensão de muitos que tomam tal opção perante aqueles que se recusam a fazê-lo: o facto de este ser adoptado como uma dieta fashion ou para emagrecer, mais uma vez com consequências menos positivas para a saúde, como acontece com qualquer dieta descuidada.

Os média, que supostamente têm a tarefa de informar, contribuem muitas vezes para a imensa desinformação que paira em torno do vegetarianismo/ veganismo. É exemplo disso a reportagem que passou na SIC no passado domingo, salvo o erro. Nela era apresentado um jornalista que decidiu “experimentar” ser vegan durante cerca de dois meses, acompanhado por uma médica do hospital de Santa Maria que verificou as suas análises passado esse período, comparando-as com outras anteriores. Os resultados e conclusões a que chegou, tcharan, foram, como afirmou a médica, surpreendentes, tendo as análises revelado mudanças drásticas e algumas carências consideráveis a nível vitaminico. Sublinhe-se apenas que a transição foi feita sem qualquer tipo de acompanhamento ou informação especializada (eu também não tive acompanhamento de médico algum mas mantive-me sempre bastante informado), de forma imediata e descuidada, para além de condicionada por todos os factores que rodearam o aparato de tal mudança na vida do personagem apresentado. As consequências, como se pode imaginar, não podiam ser outras. A peça jornalística, por outro lado, assim como as considerações da médica consultada, são duma falta de rigor algo assustador e, como tal, as lacunas que apresentou podiam ser contornadas.

Para a maioria das pessoas tal reportagem não tem grande importância, afinal apenas reforça alguns dos seus preconceitos mais básicos e desfundamentados. No entanto, o vegetarianismo, tal como o veganismo, têm conhecido um crescimento cada vez maior no seio da população, sendo que há cada vez mais pessoas a aderir. A transição não é fácil e é afectada por muitos factores que vão para além da eliminação dum hábito que carregam algumas vezes durante muitos anos: o consumo da carne. A maior pressão vem de fora: dos pais, da família, dos amigos, que, desinformados, alertam constantemente para a doença iminente, para os riscos que tal dieta acarreta, para a parvoíce e radicalismo que a caracteriza, entre outras desconsiderações que roçam a ignorância e a falta de respeito com frequência. Uma peça como aquela só vem dificultar mais o problema para quem tomou recentemente tal decisão. Eu, como devem imaginar, em 7 anos de vegetarianismo tenho pouca coisa para provar a alguém, já que ainda estou vivo e com igual ou mais saúde ao período anterior à mudança. Felizmente, o meu médico de família também é vegetariano e, portanto, nunca me chateou. Mas sou capaz de imaginar o que me muita gente deve estar a sofrer em casa neste momento, com os pais, amigos e familiares a chatear a cabeça porque afinal a dieta vegetariana/ vegan é mesmo prejudicial, etc. etc.

Só posso dar um conselho às pessoas que a consideram nociva, seja porque razão for: informem-se, leiam, conversem e informem-se outra vez. Ser vegetariano/ vegano não é ir ao restaurante comer saladas ou couves com batatas, nem tão pouco se limita a comer batatas fritas e a apanhar sol. É, indiscutivelmente, se adoptada com cuidado, uma opção muito mais saudável que a alimentação comum e, acima de tudo, muito mais ética.

Em resposta à reportagem da SIC, muitas cartas foram enviadas. Recomendo esta publicada no Centro Vegetariano, assinada por dois médicos, um vegetariano e outro omnívoro:

Carta Aberta à Visão e SIC sobre repórter vegano durante 2 meses

Sexta-feira, dia 18/1, às 21.00 H.

No Terra Viva!
Rua dos Caldeireiros, 213 PORTO (perto da torre dos clérigos)

SESSÃO DE INFORMAÇÃO/DEBATE

Organiza:
Círculo de Estudos Sociais Libertários /Terra Viva!AES - em colaboração com o Movimento Cívico “NÃO APAGUEM A MEMÓRIA” (Núcleo do Porto)

Antes do início da sessão serão distribuídos textos de apoio extraídos tanto dos depoimentos de antigos militantes libertários da CGT intervenientes no “18 de Janeiro “(Acácio Tomás de Aquino, Américo Martins, Custódio da Costa, Emídio Santana e outros) como da recente obra de Fátima Patriarca “Sindicatos Contra Salazar” e do livro de Afonso Manta c/ textos do antigo “PCP/SPIC”.

NÃO DEIXEMOS QUE AS “BRUMAS DA MEMÓRIA” NOS ESCONDAM OS HORIZONTES E AS RAÍZES!

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SÁBADO, 19 de Janeiro às 17h30

No ESPAÇO MUSAS
Rua do Bonjardim, 998 - Porto (metro: Faria Guimarães)

Organiza: Círculo Anarquista Libertário do Porto.

Conversa e Jantar no Espaço Musas: “A insurreição de 18 de Janeiro: Cercados e perseguidos”

Conversa sobre a insurreição de 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande, com a presença de dois elementos do colectivo «Luta Social» de Lisboa.

“Os anos ‘30 assistiram à perda definitiva da hegemonia da Confederação Geral do Trabalho (CGT) sobre o movimento operário português e ao fim do sindicalismo revolucionário e do anarco-sindicalismo como força ideológica mobilizadora entre os trabalhadores. A análise histórica deste processo passou por conhecermos o posicionamento estratégico do orgão confederal face ao movimento militar do 28 de Maio de 1926 bem como os problemas com que a organização sindical se deparou até ao malogrado 18 de Janeiro de 1934.[...]“

(extracto do texto “Cercados e Perseguidos:a Confederação Geral do Trabalho (CGT) nos últimos anos do sindicalismo revolucário em Portugal (1926-1938″; Guimarães, Paulo; 2004; Évora)

Matéria roubada às vítimas do costume: Pimenta Negra

Em toda a Europa pessoas são perseguidas, detidas e deportadas, só pela sua nacionalidade.

MOBILIZAÇÃO EUROPEIA CONTRA OS CENTROS DE DETENÇÃO.

SÁBADO 19 DE JANEIRO - Acção no PORTO.

Em Dezembro imigrantes marroquinos desembarcaram no ilhéu da Culatra, em Olhão. Estão actualmente detidos no centro de detenção do SEF no Porto.

CONTRA AS APREENSÕES E DETENÇÕES ARBITRÁRIAS!

Ninguém é ilegal - Documentos para todos!

ENCERAMENTO DOS CENTROS DE DETENÇÃO!

- Realizar-se-á na próxima 4ª feira dia 16, pelas 21h, na Casa Viva (Praça Marquês de Pombal, nº 167 - Porto), reunião para preparação de iniciativa sobre a situação dos imigrantes marroquinos detidos no Centro de Instalação Temporária.

Aparece, traz ideias.

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